Olhos que Condenam: o pior de nós nas telas

Olhos que Condenam: o pior de nós nas telas

Diz o ditado que a justiça tarda, mas não falha. E, embora diga mais respeito à justiça espiritual, não necessariamente é correto.

Isso está diante de nós em Olhos que Condenam, minissérie baseada em fatos reais.

Nela, a famosa história dos “cinco de Nova Iorque” é contada.

De maneira dramática, revelam-se os horrores e violência aos quais os cinco garotos foram submetidos por mais de uma década. E o pior: tudo isso injustamente.

A história real dos “cinco de Nova Iorque”

Parte 2 de olhos que condenam

A história por trás de Olhos que Condenam sucedeu-se entre os anos 80 e 2000. Cinco então adolescentes negros são aleatoriamente detidos. Na Delegacia, Linda Fairstein e os policiais envolvidos no caso usam de coação para incriminá-los por um violento estupro ocorrido no Central Park.

A tática, utilizada pelos ditos “agentes da lei”, corresponde a força-los, individualmente, a acusarem-se uns aos outros.

O fato torna-se mais simples uma vez que não se conhecem. O primeiro contato de todos é já depois de terem seus depoimentos coletados. Seus pais e defensores não puderam participar do procedimento.

Sendo a maioria composta por menores de idade, quase todos são internados em reformatórios. Apenas um deles, Korey Wise, é preso como adulto. Na prisão, enfrenta todo tipo de sofrimento, pagando por um crime que jamais cometeu.

Há linhas narrativas distintas em Olhos que Condenam. A mais chocante concentra-se nos anos de prisão de Korey Wise. Outra, foca no processo de julgamento e condenação de todos, nos anos 80.

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O nome por trás da minissérie

Olhos que Condenam foi escrita e dirigida por Ava DuVernay, sendo distribuída pela Netflix. Teve sua estréia no 31 de maio deste ano. O título original é “When they see us” — traduzindo livremente: Quando eles nos vêem.

Ava fundamentou-se nos relatos coletados dos verdadeiros “cinco de Nova Iorque”. A questão racial é pano de fundo constante.

Dos conselhos parentais, atitudes da Polícia e Promotoria às estratégias dos advogados, o racismo é determinante.

Sua pele os faz culpados frente ao Estado ainda que todas as provas digam o contrário.

A polêmica ressuscitada por Olhos que Condenam

Linda Fairstein, ex-promotora e escritora, é a peça-chave na condenação injusta dos cinco jovens. Ava, escancarando suas ações na época, motivou o público a promover boicotes contra ela. Há petições em curso, solicitando que os livros de Linda deixem de ser vendidos. Ela desligou-se de bancas universitários e funções em ONGs após as duras críticas.

A grande lástima é que, por mais que “julguem e condenem” Fairstein agora, nada reparará o sofrimento vivido pelos rapazes.

Vale a pena assistir Olhos que Condenam?

Parte 3 de olhos que condenam

O elenco, destacando-se os cinco jovens, é impecável. E, por mais que a história seja apavorante e muito triste, Ava DuVernay realizou um trabalho imenso. Tudo é muito bem exposto, o clima é aterrorizante e — sem spoiler — o final é belíssimo.

Caso  esteja em dúvida da qualidade da minissérie, convido a visitar a plataforma IMDb. Nela, Olhos que Condenam (When They See Us) alcançou a impressionante nota 9/10, raríssima numa produção com tema tão polêmico.

Apesar da tristeza que nos trazem relatos assim, é um serviço conhece-los. Apenas compreendendo os horrores da realidade seremos capazes de melhorar.

Assista Olhos que Condenam, disponível no catálogo da Netflix, ou baixe nesse site de filmes torrent, e surpreenda-se. Há muito que devemos refletir sobre nosso passado e, claro, nosso futuro enquanto sociedade.

Quando vir, lembre-se de voltar aqui e nos contar o que achou. Estamos ansiosos por saber sua opinião.

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